Ler primeiramente:
Iniciamos esse artigo
(Primeira Parte) evocando a impactante frase do teólogo Karl Rahner, que é profética para os dias de hoje. Essa frase faz referência ao precioso
universo da mística cristã. Mas o
que vem a ser a mística, exatamente?
FILOSOFIA MÍSTICA
A palavra “mística”,
ou “místico”, a princípio, pode assustar, pois o seu sentido se tornou
desgastado e desfigurado com o tempo, podendo aludir àquilo que é sensorial,
irracional ou até mesmo ao ocultismo. Porém esse não era o significado
utilizado pelos cristãos antigos. A palavra “mística”, na longa tradição da
História da Igreja, sempre significou a união de amor radical e misteriosa entre
a alma e Deus. Assim, “místico” é a pessoa que tem uma relação radical e
misteriosa de santidade e amor com Jesus.
Além disso, a mística
está também relacionada a uma certa ciência
do espírito1, isto é, o místico, na História da
Igreja, além de ser um santo é também um cristão que possui uma ciência espiritual
elevada, e é capaz de ensinar e expor a filosofia do espírito em palavras.
Exemplos de místicos da História da Igreja são: Gregório de Nissa, Pseudo-Dionísio Areopagita, Agostinho, Bernardo de Claraval, Mestre Eckhart, Macário, Teresa de Ávila, Teresa de Lisieux, Teresa de Calcutá, Edith Stein (Teresa Benedita da Cruz), João da Cruz, Catarina de Siena e Faustina Kowalska, para citar alguns.
É exatamente essa ciência, fundada em uma espiritualidade profundamente relacional, e tem por base o amor pascal de Jesus, que faz da mística cristã a única filosofia que pode suprir as demandas da carência de espiritualidade da Pós-Modernidade. O vazio provocado
pelo mito do "Século das Luzes" e pelo secularismo árido só poderá ser totalmente suprido por uma filosofia do
espírito que seja cristã e seja mística em sua essência.
Sendo assim, para o cristão
e para o filósofo, será necessário um certo conhecimento do repertório de toda
uma longa e rica tradição de místicos da Igreja, na qual a futura ciência
filosófica deverá se apoiar. Uma filosofia autêntica que contemple as demandas
do século de hoje será uma filosofia que respire os atos dos santos e os
escritos dos místicos, dos quais a História da Igreja está impregnada. Sendo
assim, é preciso uma Filosofia, uma História e uma Filosofia da História que seja a um só tempo hagiográfica e
cientificamente espiritual. Pois no atual estado da sociedade pós-moderna a fé
não possui sentido, se não for mística. Não possui sentido, se não for
profunda.
Por conseguinte, a norteadora
frase do teólogo alemão é um dos princípios basilares para o desenvolvimento de
uma filosofia que seja genuinamente cristã no século XXI.
Para isso, as Obras
dos místicos são o ponto de partida para o pensar filosófico, que devem ser
estudadas, analisadas e imitadas. O resultado de todo esse debruçar sobre o
precioso universo da mística, que se contrapõe às limitações metafísicas do
secularismo, é o que deverá resultar em uma sólida Filosofia Mística, pois tais
vidas e tais escritos expressam a vida de Jesus, que é o princípio norteador de
toda filosofia, de toda vida espiritual e de toda a História.
______________________________________________________________
1 Tal conhecimento e experiência Edith Stein irá denominar ciência da cruzLer a continuação: A necessidade de uma Filosofia Mística para os dias de hoje (Terceira Parte)
Nenhum comentário:
Postar um comentário