terça-feira, 16 de maio de 2017

A necessidade de uma Filosofia Mística para os dias de hoje (Segunda Parte)

Ler primeiramente: 




Iniciamos esse artigo (Primeira Parte) evocando a impactante frase do teólogo Karl Rahner, que é profética para os dias de hoje. Essa frase faz referência ao precioso universo da mística cristã. Mas o que vem a ser a mística, exatamente?


FILOSOFIA MÍSTICA

A palavra “mística”, ou “místico”, a princípio, pode assustar, pois o seu sentido se tornou desgastado e desfigurado com o tempo, podendo aludir àquilo que é sensorial, irracional ou até mesmo ao ocultismo. Porém esse não era o significado utilizado pelos cristãos antigos. A palavra “mística”, na longa tradição da História da Igreja, sempre significou a união de amor radical e misteriosa entre a alma e Deus. Assim, “místico” é a pessoa que tem uma relação radical e misteriosa de santidade e amor com Jesus.

Além disso, a mística está também relacionada a uma certa ciência do espírito1, isto é, o místico, na História da Igreja, além de ser um santo é também um cristão que possui uma ciência espiritual elevada, e é capaz de ensinar e expor a filosofia do espírito em palavras.

Exemplos de místicos da História da Igreja são: Gregório de Nissa, Pseudo-Dionísio Areopagita, Agostinho, Bernardo de Claraval, Mestre Eckhart, Macário, Teresa de Ávila, Teresa de Lisieux, Teresa de Calcutá, Edith Stein (Teresa Benedita da Cruz), João da Cruz, Catarina de Siena e Faustina Kowalska, para citar alguns.

É exatamente essa ciência, fundada em uma espiritualidade profundamente relacional, e tem por base o amor pascal de Jesus, que faz da mística cristã a única filosofia que pode suprir as demandas da carência de espiritualidade da Pós-Modernidade. O vazio provocado pelo mito do "Século das Luzes" e pelo secularismo árido só poderá ser totalmente suprido por uma filosofia do espírito que seja cristã e seja mística em sua essência.

Sendo assim, para o cristão e para o filósofo, será necessário um certo conhecimento do repertório de toda uma longa e rica tradição de místicos da Igreja, na qual a futura ciência filosófica deverá se apoiar. Uma filosofia autêntica que contemple as demandas do século de hoje será uma filosofia que respire os atos dos santos e os escritos dos místicos, dos quais a História da Igreja está impregnada. Sendo assim, é preciso uma Filosofia, uma História e uma Filosofia da História que seja a um só tempo hagiográfica e cientificamente espiritual. Pois no atual estado da sociedade pós-moderna a fé não possui sentido, se não for mística. Não possui sentido, se não for profunda.

Por conseguinte, a norteadora frase do teólogo alemão é um dos princípios basilares para o desenvolvimento de uma filosofia que seja genuinamente cristã no século XXI.

Para isso, as Obras dos místicos são o ponto de partida para o pensar filosófico, que devem ser estudadas, analisadas e imitadas. O resultado de todo esse debruçar sobre o precioso universo da mística, que se contrapõe às limitações metafísicas do secularismo, é o que deverá resultar em uma sólida Filosofia Mística, pois tais vidas e tais escritos expressam a vida de Jesus, que é o princípio norteador de toda filosofia, de toda vida espiritual e de toda a História.


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1 Tal conhecimento e experiência Edith Stein irá denominar ciência da cruz


Ler a continuação: A necessidade de uma Filosofia Mística para os dias de hoje (Terceira Parte)

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