O eminente teólogo
católico Karl Rahner (1904-1984) escreveu algo que é profético para os nossos
dias: “o cristão do futuro, ou será
místico, ou não será cristão”.
Vivemos na cultura da
sociedade cristã ocidental. Muitos dos valores éticos e morais enraizados em
nossa sociedade vêm de Jesus e vêm do Cristianismo. Jesus dividiu a História em
duas partes e é o grande divisor de águas da cultura em que vivemos. Contudo,
nossa sociedade, embora defenda muitos valores cristãos – que são defendidos inconscientemente
até mesmo por muitos ateus – não permanece cristã em sua essência.
É grande o número de “cristãos
não-praticantes”, ou seja, de pessoas que se dizem cristãs, mas desconhecem a
essência do Cristianismo. Vivemos no caldo da cultura da Pós-Modernidade, estágio mais indolente e descrente do
que a Modernidade – o estandarte do
ateísmo; vivemos em uma era em que os valores ateístas difundidos pelo Iluminismo mostraram-se estéreis, e o
"Século das Luzes" não mostrou a que veio, antes, mostrou ser mais irracional e ineficiente
do que todas as eras que o precederam. Vivemos em uma época de inexplicável
desigualdade social, de fome e miséria e tivemos, recentemente, duas grandes
guerras mundiais e a Guerra Fria. E o que é, hoje, a Pós-Modernidade? É o
princípio do relativismo e da incerteza filosófica: não se acredita em mais
nada.
Exatamente por causa
do vazio causado pela Modernidade e pela sua sucessora natural, a referida
Pós-Modernidade (constatação da ineficácia da razão antropocêntrica para
resolver os problemas do mundo), o mundo hoje, mais do que nunca, carece e
clama por espiritualidade. E qual é
um dos caminhos escolhidos por muitas pessoas que vivem na era do Capitalismo e
estão sedentas por espiritualidade? A rasa e atraente espiritualidade da
Nova-Era.
A Nova-Era é uma
espiritualidade atraente porque prega uma religião sem um Deus definido, um
deus sem rosto. O deus da Nova-Era é a natureza, as forças cósmicas, uma
energia, sendo, portanto, um panteísmo
frágil que aponta para uma espiritualidade que escapa do sentido etimológico mais
profundo da palavra religião: tem origem no
latim, religare, e significa: “religar
o homem com Deus”. E se há uma religação, isso significa que existe um
relacionamento, um intercâmbio entre pessoas. O Deus do Cristianismo é
exatamente esse Deus pessoal, o Deus que não é uma força inconsciente que se
confunde com o Universo, mas um Deus inteligente (o designer da Criação) e relacional, um Deus que se relaciona e um
Deus que ama.
E se existe um
relacionamento, existe também responsabilidade.
Todo relacionamento requer responsabilidade. É exatamente dessa responsabilidade
que a religião filha da Pós-Modernidade quer fugir, apontando para um deus sem
rosto, um deus sem relações.
Outro motivo pelo
qual a sociedade atual, fruto da crise deixada pela antecessora Modernidade, a
qual clama por espiritualidade, é atraída pela
pregação da Nova Era, é porque ela desconhece a profundidade da Mística Cristã. Muito fala-se em Buda, Allan
Kardec, Paulo Coelho e Dalai Lama, mas não se conhece os escritos de místicos cristãos como Teresa de
Ávila, Teresa de Lisieux e João da Cruz. Fala-se em Richard Dawkins,
Christopher Hitchens, Sam Harris e Daniel Dennett (os quatro cavaleiros do
famigerado Neo-Ateísmo), mas pouco se conhece de C. S. Lewis, William Lane
Craig, Alvin Plantinga e Norman Geisler, importantes autores filósofos cristãos.
Mas este é um assunto da próxima mensagem, continuação desse post...
Em breve criaremos um
canal no Youtube com postagens de vídeos tratando de Filosofia e
Espiritualidade. Continue conosco.
Ler a continuação: A necessidade de uma Filosofia Mística para os dias de hoje (Segunda Parte)
Ler a continuação: A necessidade de uma Filosofia Mística para os dias de hoje (Segunda Parte)
Faz sentido Anderson!Gostei da questão da responsabilidade! Muitos cristãos, inclusive, entregam a responsabilidade de suas vidas totalmente a Deus, esquecem da sua própria responsabilidade para evoluir espiritualmente e muitas vezes não percebem suas imperfeições, tendo dificuldade em exercer a tolerância e o amor ao próximo, principal ensinamento cristão... Devemos estar atentos para não nos acomodarmos na parte rasa da religião e esquecermos o árduo caminho de auto conhecimento e desenvolvimento espiritual que também faz parte da religiosidade, assim como da psique...
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