sábado, 13 de maio de 2017

A necessidade de uma Filosofia Mística para os dias de hoje (Primeira Parte)

O eminente teólogo católico Karl Rahner (1904-1984) escreveu algo que é profético para os nossos dias: “o cristão do futuro, ou será místico, ou não será cristão”.

Vivemos na cultura da sociedade cristã ocidental. Muitos dos valores éticos e morais enraizados em nossa sociedade vêm de Jesus e vêm do Cristianismo. Jesus dividiu a História em duas partes e é o grande divisor de águas da cultura em que vivemos. Contudo, nossa sociedade, embora defenda muitos valores cristãos – que são defendidos inconscientemente até mesmo por muitos ateus – não permanece cristã em sua essência.

É grande o número de “cristãos não-praticantes”, ou seja, de pessoas que se dizem cristãs, mas desconhecem a essência do Cristianismo. Vivemos no caldo da cultura da Pós-Modernidade, estágio mais indolente e descrente do que a Modernidade – o estandarte do ateísmo; vivemos em uma era em que os valores ateístas difundidos pelo Iluminismo mostraram-se estéreis, e o "Século das Luzes" não mostrou a que veio, antes, mostrou ser mais irracional e ineficiente do que todas as eras que o precederam. Vivemos em uma época de inexplicável desigualdade social, de fome e miséria e tivemos, recentemente, duas grandes guerras mundiais e a Guerra Fria. E o que é, hoje, a Pós-Modernidade? É o princípio do relativismo e da incerteza filosófica: não se acredita em mais nada.

Exatamente por causa do vazio causado pela Modernidade e pela sua sucessora natural, a referida Pós-Modernidade (constatação da ineficácia da razão antropocêntrica para resolver os problemas do mundo), o mundo hoje, mais do que nunca, carece e clama por espiritualidade. E qual é um dos caminhos escolhidos por muitas pessoas que vivem na era do Capitalismo e estão sedentas por espiritualidade? A rasa e atraente espiritualidade da Nova-Era.

A Nova-Era é uma espiritualidade atraente porque prega uma religião sem um Deus definido, um deus sem rosto. O deus da Nova-Era é a natureza, as forças cósmicas, uma energia, sendo, portanto, um panteísmo frágil que aponta para uma espiritualidade que escapa do sentido etimológico mais profundo da palavra religião: tem origem no latim, religare, e significa: “religar o homem com Deus”. E se há uma religação, isso significa que existe um relacionamento, um intercâmbio entre pessoas. O Deus do Cristianismo é exatamente esse Deus pessoal, o Deus que não é uma força inconsciente que se confunde com o Universo, mas um Deus inteligente (o designer da Criação) e relacional, um Deus que se relaciona e um Deus que ama.

E se existe um relacionamento, existe também responsabilidade. Todo relacionamento requer responsabilidade. É exatamente dessa responsabilidade que a religião filha da Pós-Modernidade quer fugir, apontando para um deus sem rosto, um deus sem relações.

Outro motivo pelo qual a sociedade atual, fruto da crise deixada pela antecessora Modernidade, a qual clama por espiritualidade, é atraída pela pregação da Nova Era, é porque ela desconhece a profundidade da Mística Cristã. Muito fala-se em Buda, Allan Kardec, Paulo Coelho e Dalai Lama, mas não se conhece os escritos de místicos cristãos como Teresa de Ávila, Teresa de Lisieux e João da Cruz. Fala-se em Richard Dawkins, Christopher Hitchens, Sam Harris e Daniel Dennett (os quatro cavaleiros do famigerado Neo-Ateísmo), mas pouco se conhece de C. S. Lewis, William Lane Craig, Alvin Plantinga e Norman Geisler, importantes autores filósofos cristãos. Mas este é um assunto da próxima mensagem, continuação desse post...

Em breve criaremos um canal no Youtube com postagens de vídeos tratando de Filosofia e Espiritualidade. Continue conosco. 


Ler a continuação: A necessidade de uma Filosofia Mística para os dias de hoje (Segunda Parte)

Um comentário:

  1. Faz sentido Anderson!Gostei da questão da responsabilidade! Muitos cristãos, inclusive, entregam a responsabilidade de suas vidas totalmente a Deus, esquecem da sua própria responsabilidade para evoluir espiritualmente e muitas vezes não percebem suas imperfeições, tendo dificuldade em exercer a tolerância e o amor ao próximo, principal ensinamento cristão... Devemos estar atentos para não nos acomodarmos na parte rasa da religião e esquecermos o árduo caminho de auto conhecimento e desenvolvimento espiritual que também faz parte da religiosidade, assim como da psique...

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