Em termos de
sociologia, podemos falar de um fenômeno hodierno que é sutil, nocivo e chega
ao píncaro da hipocrisia. Estamos tratando do secularismo em sua forma atual: a ditadura silenciosa.
A ditadura silenciosa
é o pior tipo de opressão, pois ela é sutil e camufla-se, nesse caso, com
roupagens de tolerância e igualdade – liberdade, igualdade e fraternidade, o
falso estandarte iluminista! – mas manifesta-se de modo completamente adverso
ao que apregoa. Trata-se de uma ideologia implantada na mente das pessoas que
funciona como uma fortaleza mental,
um pensamento que os indivíduos manifestam inconscientemente porque foi instalado
por estruturas institucionais, mediáticas e antirreligiosas.
Sendo assim, as
estruturas institucionais, mediáticas e antirreligiosas, dizendo ser laicas,
são, na realidade, anticristãs, pois vivendo em uma sociedade com cultura – mas
não ideologia – cristã, prega valores que vão de encontro a essa cultura,
através do aparelhamento ideológico que intenta transformar a sociedade em um
regime opressor no qual qualquer manifestação social cristã tende a ser vista como algo intolerante, reacionário e deletério e, nas
conversações informais, o Cristianismo é repulsado como sendo algo impróprio, e
manifestações simpáticas ao ateísmo e à mentalidade da Nova Era são vistas como
atitudes “modernas”, elegantes e sofisticadas.
Tal fenômeno,
onipresente na sociedade, pode ser visto em todos os lugares: em conversas
informais, no trabalho, nas redes sociais, na mídia e nas instituições
educacionais. Porém, por ser algo muito sutil, é difícil de ser reconhecido,
mas está implantado na mente da maioria, inclusive na mente de muitos cristãos
que não construíram, ao longo de sua formação, uma sólida cosmovisão bíblica e
cristocêntrica.
Por esse motivo, é
necessário que as escolas dominicais e as instituições educacionais cristãs
estejam atentas a esse fenômeno e ensinem uma sólida cosmovisão cristocêntrica
e que seja resistente a essas manifestações, pois elas são extremamente nocivas
aos valores da cultura cristã ocidental.
Dissemos, no início
do texto, que tal fenômeno social é sutil, nocivo e hipócrita. Vejamos como ele
coleciona, ao longo de sua trajetória, tais adjetivos.
É sutil porque não é
exposto abertamente. Nenhuma emissora de televisão, nenhuma revista, nenhum
jornal, nenhum partido político, nenhuma instituição educacional – e, por
conseguinte, nenhuma pessoa comum influenciada por essas instituições – dirá
abertamente: “Abaixo o Cristianismo! Vamos calar as ideologias intolerantes e
reacionárias dos cristãos! Viva à liberdade antropocêntrica, ao materialismo e
ao hedonismo, e que se dane os ensinamentos de Jesus!”. Contudo, isso é
apregoado de maneira capciosa. Através de livros, novelas, reportagens,
projetos de lei, etc., o antropocentrismo secular é apregoado, a filosofia
cristã tenta ser desconstruída, passo a passo, e a sociedade,
inconscientemente, é influenciada, de forma que, sem perceber, cria-se uma
atmosfera na qual instaura-se uma ditadura silenciosa, em que qualquer
manifestação de filosofia cristã profunda tenta ser calada como sendo algo impróprio e
inadequado à sociedade.
A sociedade já se tornou anticristã. Porém muitos, seguindo essas ideologias, se dizem cristãos, e não se apercebem disso.
A sociedade já se tornou anticristã. Porém muitos, seguindo essas ideologias, se dizem cristãos, e não se apercebem disso.
É claro que há
exceções. A música gospel cristã, por exemplo, é apreciada como algo belo e agradável por largas parcelas da sociedade. Contudo, qualquer colóquio mais profundo
sobre a filosofia cristã é evitado, porque as pessoas estão armadas contra
qualquer manifestação mais profunda do Cristianismo, de Jesus e sua Cruz.
Dizendo-se cristãs, tornaram-se anticristãs. É a ditadura silenciosa do
secularismo.
É nociva porque peca
por ser intolerante e por ir contra aqueles valores fundamentais que norteiam a própria cultura, dos quais ela está impregnada. A essência do ensinamento do Cristianismo
transcende o ateísmo, porque supera o reducionismo positivista, e transcende os
ensinamentos da Nova Era, porque contempla um Deus transcendente e relacional.
E não é religião velha. Apesar de ter tradição, é algo relacionado ao novo, porque a profundidade dos escritos dos cristãos místicos da Igreja permanece
desconhecida (para ver a definição cristã do que é “mística”, clique aqui).
É hipócrita, porque
diz que deseja a igualdade, diz que é cristã, mas rejeita os ensinamentos
cristãos e intenta calá-los, a qualquer custo, através das instituições e
através dos relacionamentos diários, nos diálogos informais.
O secularismo produziu,
recentemente, um dos fenômenos mais sutis, nocivos e hipócritas que a cultura
ocidental cristã já conheceu: a ditadura silenciosa.
Ela está entre nós.
Mas precisa ser
denunciada e combatida, a qualquer custo.
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