sábado, 2 de setembro de 2017

Secularismo – a ditadura silenciosa

Em termos de sociologia, podemos falar de um fenômeno hodierno que é sutil, nocivo e chega ao píncaro da hipocrisia. Estamos tratando do secularismo em sua forma atual: a ditadura silenciosa.

A ditadura silenciosa é o pior tipo de opressão, pois ela é sutil e camufla-se, nesse caso, com roupagens de tolerância e igualdade – liberdade, igualdade e fraternidade, o falso estandarte iluminista! – mas manifesta-se de modo completamente adverso ao que apregoa. Trata-se de uma ideologia implantada na mente das pessoas que funciona como uma fortaleza mental, um pensamento que os indivíduos manifestam inconscientemente porque foi instalado por estruturas institucionais, mediáticas e antirreligiosas.

Sendo assim, as estruturas institucionais, mediáticas e antirreligiosas, dizendo ser laicas, são, na realidade, anticristãs, pois vivendo em uma sociedade com cultura – mas não ideologia – cristã, prega valores que vão de encontro a essa cultura, através do aparelhamento ideológico que intenta transformar a sociedade em um regime opressor no qual qualquer manifestação social cristã tende a ser vista como algo intolerante, reacionário e deletério e, nas conversações informais, o Cristianismo é repulsado como sendo algo impróprio, e manifestações simpáticas ao ateísmo e à mentalidade da Nova Era são vistas como atitudes “modernas”, elegantes e sofisticadas.

Tal fenômeno, onipresente na sociedade, pode ser visto em todos os lugares: em conversas informais, no trabalho, nas redes sociais, na mídia e nas instituições educacionais. Porém, por ser algo muito sutil, é difícil de ser reconhecido, mas está implantado na mente da maioria, inclusive na mente de muitos cristãos que não construíram, ao longo de sua formação, uma sólida cosmovisão bíblica e cristocêntrica.

Por esse motivo, é necessário que as escolas dominicais e as instituições educacionais cristãs estejam atentas a esse fenômeno e ensinem uma sólida cosmovisão cristocêntrica e que seja resistente a essas manifestações, pois elas são extremamente nocivas aos valores da cultura cristã ocidental.

Dissemos, no início do texto, que tal fenômeno social é sutil, nocivo e hipócrita. Vejamos como ele coleciona, ao longo de sua trajetória, tais adjetivos.

É sutil porque não é exposto abertamente. Nenhuma emissora de televisão, nenhuma revista, nenhum jornal, nenhum partido político, nenhuma instituição educacional – e, por conseguinte, nenhuma pessoa comum influenciada por essas instituições – dirá abertamente: “Abaixo o Cristianismo! Vamos calar as ideologias intolerantes e reacionárias dos cristãos! Viva à liberdade antropocêntrica, ao materialismo e ao hedonismo, e que se dane os ensinamentos de Jesus!”. Contudo, isso é apregoado de maneira capciosa. Através de livros, novelas, reportagens, projetos de lei, etc., o antropocentrismo secular é apregoado, a filosofia cristã tenta ser desconstruída, passo a passo, e a sociedade, inconscientemente, é influenciada, de forma que, sem perceber, cria-se uma atmosfera na qual instaura-se uma ditadura silenciosa, em que qualquer manifestação de filosofia cristã profunda tenta ser calada como sendo algo impróprio e inadequado à sociedade. 

A sociedade já se tornou anticristã. Porém muitos, seguindo essas ideologias, se dizem cristãos, e não se apercebem disso.

É claro que há exceções. A música gospel cristã, por exemplo, é apreciada como algo belo e agradável por largas parcelas da sociedade. Contudo, qualquer colóquio mais profundo sobre a filosofia cristã é evitado, porque as pessoas estão armadas contra qualquer manifestação mais profunda do Cristianismo, de Jesus e sua Cruz. Dizendo-se cristãs, tornaram-se anticristãs. É a ditadura silenciosa do secularismo.

É nociva porque peca por ser intolerante e por ir contra aqueles valores fundamentais que norteiam a própria cultura,  dos quais ela está  impregnada. A essência do ensinamento do Cristianismo transcende o ateísmo, porque supera o reducionismo positivista, e transcende os ensinamentos da Nova Era, porque contempla um Deus transcendente e relacional. E não é religião velha. Apesar de ter tradição, é algo relacionado ao novo, porque a profundidade dos escritos dos cristãos místicos da Igreja permanece desconhecida (para ver a definição cristã do que é “mística”, clique aqui).

É hipócrita, porque diz que deseja a igualdade, diz que é cristã, mas rejeita os ensinamentos cristãos e intenta calá-los, a qualquer custo, através das instituições e através dos relacionamentos diários, nos diálogos informais.

O secularismo produziu, recentemente, um dos fenômenos mais sutis, nocivos e hipócritas que a cultura ocidental cristã já conheceu: a ditadura silenciosa.

Ela está entre nós.

Mas precisa ser denunciada e combatida, a qualquer custo.

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