quinta-feira, 13 de junho de 2019

Neomedievalismo. Segunda Parte


SEGUNDA PARTE. DOIS MOVIMENTOS HISTÓRICOS DISTINTOS DE COESÃO DENTRO DA GRANDE CULTURA 


Falar sobre coesão e sentimento de unidade em nossa cultura não é tratar de algo novo. Poderíamos perguntar: existe algo como uma grande cultura no oriente? Se há, permanece algo muito diferente do que subsiste entre nós, ocidentais. Contudo, o fato é que entre nós tal existe, ou, mais do que isto, o que há entre nós é uma certa tradição e uma grande memória. E, se quisermos ir mais fundo, além dos estereótipos desgastados que emprestam à Idade Média nada mais do que uma reconstrução modernista – pois é certo que tal período foi desfigurado pelas historiografias correntes da modernidade, sendo essa, em sua essência, o humanismo pragmático progressista que deságua no leito da instituição líquida pós-moderna –, deveremos reconhecer que pouco se sabe sobre esse momento histórico. O que existe é um sentimento de coesão nítida, e se eu perguntasse qual é a origem desse sentimento que une, de modo distinto de qualquer outro lugar e período histórico, vidas tão díspares e povos tão diferentes, dir-me-iam: o dogma. Contudo, eu afirmaria que essa resposta é insuficiente.

Ainda que fosse o dogma, tal não consistiria o maior problema, pois existem de variados tipos, e não apenas ritualísticos e religiosos, mas a ideia que se coloca é que o que causou tal coesão e sentimento de unidade foi um elemento que está para além do dogmatismo, isto é, certo estruturalismo, pré-cismático, ou estrutura de pensamento, ao qual denominamos, em Filosofia Mística, estruturalismo cristológico. Porém não é pensamento em sentido modernista, tão somente, mas um fundamento ontológico que aqui entendemos como a própria estrutura do mundo, que a nossa cultura conheceu em vivas cores tal qual nenhuma outra, e ainda a vivencia, mas de maneira muito diferente hoje, após a sucessão de todos aqueles movimentos humanistas históricos, de modo que agora temos, na grande cultura, mais do que uma experiência, uma tradição e uma grande memória cristã. Desse modo, existe ainda uma experiência, mas que percorre como que de maneira subterrânea a  superfície de todas as rupturas renascentistas e  de todos os relacionamentos fluidos.

Entretanto, para entender em que consiste exatamente tal estruturalismo, é necessária certa sistematização rígida e certa construção teórica. Nessas exposições filosóficas, estou introduzindo, e não ainda fundamentando o pensamento. Elas são úteis para a introdução de um pensamento. Refiro-me, obviamente, não a outra coisa senão à Filosofia Mística.

O Neomedievalismo será, especificamente, o novo sentido de unidade da grande cultura que dará fim ao período transitório da pós-modernidade. 

Entretanto, nesse momento se constitui não mais apenas um grande sentimento de coesão, porém dois, um já em curso, e outro, o que agora se anuncia: o primeiro é uma união difusa, o segundo, o próprio sentido neomedievalista da grande cultura. O primeiro, o sentimento pragmatista de uma espiritualidade fluida. O segundo, aquilo que constitui o sentido mais radical e concreto do estruturalismo cristológico, e da sinergia contagiante e própria. O fim de todo princípio de ruptura e uma unidade não fluida, mas que se concretizará em verdadeiros relacionamentos.


FIM DA SEGUNDA PARTE

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